{"id":171,"date":"2019-08-05T11:01:12","date_gmt":"2019-08-05T11:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/?p=171"},"modified":"2021-02-09T10:48:33","modified_gmt":"2021-02-09T10:48:33","slug":"crise-economica-sobrecarrega-o-sus-em-sao-paulo-e-consultas-crescem-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/2019\/08\/05\/crise-economica-sobrecarrega-o-sus-em-sao-paulo-e-consultas-crescem-10\/","title":{"rendered":"CRISE ECON\u00d4MICA SOBRECARREGA O SUS EM S\u00c3O PAULO E CONSULTAS CRESCEM 10%"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Salto ocorreu de 2018 para este ano; desde 2014, 13,5% dos que tinham seguro m\u00e9dico o perderam<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em bancos de concreto, pacientes se amontoam enquanto aguardam serem chamados para consultas agendadas em um dos hospitais municipais mais lotados de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a sala de espera estar quase sempre cheia, o ambiente \u00e9 de sil\u00eancio, interrompido apenas quando um funcion\u00e1rio de jaleco branco grita uma lista de nomes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 quando os pacientes se enfileiram e s\u00e3o encaminhados para as salas de atendimento em um corredor.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pelo menos dois anos, o apinhado hospital municipal Carmino Caricchio, conhecido como hospital do Tatuap\u00e9, localizado no bairro de mesmo nome na zona leste da cidade, v\u00ea suas salas de espera se tornarem cada vez mais abarrotadas de gente em busca de atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2017, o endere\u00e7o registrou um salto de 21% no n\u00famero de consultas m\u00e9dicas ambulatoriais realizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ocorre no hospital do Tatuap\u00e9, o aumento da fila de pacientes em busca de atendimento ambulatorial, o que inclui consultas de rotina, acompanhamento e procedimentos de baixa complexidade, reverbera no sistema p\u00fablico municipal como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos quatro primeiros meses deste ano, os hospitais da cidade registraram 10% mais consultas ambulatoriais do que no mesmo per\u00edodo no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atendimentos m\u00e9dicos ambulatoriais na rede municipal de S\u00e3o Paulo*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00famero de consultas**<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/blog.abramge.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sem-T%C3%ADtulo-1.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.abramge.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sem-T%C3%ADtulo-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6177\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><em>*Consultas m\u00e9dicas ambulatorias nos hospitais municipais (Mario Degni, Al\u00edpio Corr\u00eaa Netto, Waldomiro de Paula, Arthur Ribeiro de Saboya, Carmino Caricchio, Fernando Mauro P. da Rocha, Menino Jesus, Carmen Prudente, S\u00e3o Luiz Gonzaga, Jos\u00e9 Stor\u00f3polli, M\u00e1rio de Moraes Altenfelder Silva). N\u00e3o foram fornecidos dados referentes aos hospitais Tide Setubal, Jos\u00e9 Soares Hungria, Alexandre Zaio, Benedicto Montenegro, Ign\u00e1cio Proen\u00e7a de Gouv\u00eaa, Moyses Deutsch, Gilson de Cassia Marques de Carvalho e Josanias Castanha Braga<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>**Consultas ambulatoriais n\u00e3o emergenciais nos meses de janeiro, fevereiro, mar\u00e7o e abril Fontes: Autarquia Hospitalar Municipal e ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contratantes de planos de sa\u00fade na cidade de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/blog.abramge.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sem-T%C3%ADtulo-2.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.abramge.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sem-T%C3%ADtulo-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6178\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><em>5,7 milh\u00f5es foi o n\u00famero de contratantes no 1\u00ba tri.2019<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros, a diferen\u00e7a foi de 11,5 mil mais apontamentos em um universo de cerca de 40 mil consultas por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>No hospital do Tatuap\u00e9, por exemplo, foram 3.300 mais consultas do que no mesmo per\u00edodo de 2017, ou cerca de 800 agendamentos a mais por m\u00eas no intervalo de dois anos, segundo dados fornecidos pela secretaria de Sa\u00fade via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O percentual de aumento nos atendimentos ambulatoriais dos hospitais municipais \u00e9 ainda mais relevante diante do fato de que nos anos anteriores, entre 2017 e 2018, a quantidade de consultas vinha em ritmo decrescente nos balan\u00e7os referentes a onze equipamentos de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas apontam uma s\u00e9rie de explica\u00e7\u00f5es para o aumento da demanda. Entre elas, a mais cab\u00edvel faz paralelo com a retra\u00e7\u00e3o do mercado de planos de sa\u00fade na cidade como reflexo da crise econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra justificativa, fornecida pela pasta da gest\u00e3o do prefeito Bruno Covas (PSDB), faz refer\u00eancia ao crescimento populacional na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa do aumento de pessoas que vivem na cidade, entre 2017 e 2018, foi de 8,2%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) com base nos dados coletados durante o censo de 2010.<br>Portanto, abaixo dos 10% a mais de movimento registrado nos hospitais municipais neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o percentual de pessoas que perderam acesso a planos de sa\u00fade no mesmo per\u00edodo cresceu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segundo dados da Abramge (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade), desde 2014, a cidade passou de 6,6 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios para 5,7 milh\u00f5es, o que representa uma queda acumulada de 13,5%.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2017 e 2018, de acordo a ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar), cerca de 480 mil pessoas na cidade deixaram de ter acesso \u00e0 sa\u00fade suplementar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a carteirinha do plano, antes de entrar na fila do SUS, h\u00e1 quem recorra a cl\u00ednicas e laborat\u00f3rios de an\u00e1lises que apostaram nos \u00faltimos anos no v\u00e1cuo da retra\u00e7\u00e3o do mercado de planos de sa\u00fade e passaram a oferecer pre\u00e7os mais acess\u00edveis do que a rede privada tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcos Novais, economista-chefe da Abramge (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade), questiona a concorr\u00eancia desse tipo de servi\u00e7o, que quando muito utilizados pode se equiparar ou superar o gasto com um plano, algo que usu\u00e1rios frequentes das cl\u00ednicas corroboram.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gestores municipais tamb\u00e9m afirmam que alguns pacientes, ao se verem sem recursos para concluir o atendimento nas cl\u00ednicas, migram para o SUS no meio do tratamento, tendo que refazer parte do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos de pagar por procedimentos m\u00e9dicos se tornam praticamente insustent\u00e1veis em casos de alta complexidade, o que inclui cirurgias e interna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Secretaria de Sa\u00fade, na rede de hospitais municipais, os atendimentos emergenciais se mantiveram est\u00e1veis no mesmo per\u00edodo em que os consult\u00f3rios ambulatoriais tiveram alta na demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, foram feitas cerca de 2,1 milh\u00f5es consultas nos pronto-socorros municipais.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorrer ao sistema p\u00fablico de sa\u00fade diante da dificuldade de acesso ao atendimento privado, por\u00e9m, por si s\u00f3 n\u00e3o explica totalmente o aumento da demanda por atendimento nos hospitais municipais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cHouve s\u00edndromes respirat\u00f3rias e outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade que se fizeram mais presentes em 2019 do que em 2018, o que pode ter ajudado no aumento da procura por atendimentos de baixa complexidade\u201d, diz Novais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m disso, ao examinar o salto de consultas no SUS na compara\u00e7\u00e3o com 2018 e 2017, quando houve retra\u00e7\u00e3o dos atendimentos nos hospitais municipais, ele questiona o comportamento dos ex-usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para Novais, diante da crise econ\u00f4mica iniciada em 2014, quem ainda estava empregado e tinha acesso ao plano pago pela empresa \u2013ou dispunha de or\u00e7amento para pagar planos individuais ou de ades\u00e3o\u2013 aproveitou o momento para fazer mais consultas e exames ante a imin\u00eancia de perder o benef\u00edcio por causa das previs\u00f5es de piora da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cHouve um pico na utiliza\u00e7\u00e3o dos planos nesse per\u00edodo\u201d, diz Novais. \u201cPequenas cirurgias, por exemplo, foram feitas porque se sabia do risco de perder a sa\u00fade suplementar.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a gest\u00e3o Bruno Covas (PSDB), h\u00e1 hoje 7,5 milh\u00f5es usu\u00e1rios do SUS na cidade, de uma popula\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es, e os hospitais municipais atendem por livre demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>A Prefeitura de S\u00e3o Paulo diz que planeja ampliar a rede de atendimento de sa\u00fade na cidade a partir de financiamento de cerca de R$ 800 milh\u00f5es negociado com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, prazo definido para isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Folha de S. Paulo<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Mariana Zylberkan<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salto ocorreu de 2018 para este ano; desde 2014, 13,5% dos que tinham seguro m\u00e9dico o perderam Em bancos de concreto, pacientes se amontoam enquanto aguardam serem chamados para consultas &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":172,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-171","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":173,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions\/173"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foccusauditoria.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}